Relatório executivo · Março 2026

Conflito no Oriente Médio e o impacto nas viagens corporativas

O que gestores de viagens precisam saber agora sobre a alta do combustível de aviação, o encarecimento das tarifas e como proteger o orçamento da sua empresa.

VExpenses · Leitura: 8 min

Visão geral do cenário

O conflito no Oriente Médio desencadeou uma alta expressiva no preço do querosene de aviação (QAV) em poucas semanas. Antes da guerra, o barril do combustível oscilava entre US$ 85 e US$ 90. Depois do agravamento do conflito, chegou a ultrapassar US$ 115 em várias regiões. A IATA registrou uma alta de 65% em apenas uma semana, um movimento sem precedente recente fora do contexto da pandemia.

O impacto se estende além dos voos internacionais. O Brasil, mesmo sendo exportador de petróleo bruto, depende de importação para derivados refinados como o QAV. Com o dólar em alta e o barril pressionado, o encarecimento do combustível afeta diretamente os voos domésticos. O país já opera com um dos QAVs mais caros do mundo, o que torna qualquer pressão adicional sobre o preço ainda mais sensível.

Inclusive, a Vibra Distribuidora anunciou reajuste de 54,63% no QAV a partir de 1º de abril de 2026. Projeções indicam que a Petrobras deve aplicar um novo reajuste entre 70% e 80% ainda neste mês.

Por que o Brasil sente mais

A combinação de QAV importado, câmbio pressionado e uma estrutura de custo já elevada coloca o mercado brasileiro em posição de dupla exposição: ao preço internacional do petróleo e à variação do dólar. Qualquer repasse das aéreas chega aqui amplificado.

Números que dimensionam o problema

As quatro maiores companhias aéreas americanas estimam um custo extra combinado de US$ 11 bilhões em 2026 apenas com combustível. No Brasil, os CEOs de Azul, Gol e Latam já sinalizaram publicamente que a alta vai se refletir nas tarifas.

As companhias aéreas internacionais já estão repassando esses custos. A Air France-KLM adicionou 50 euros por voo de longa distância. A Aerolíneas Argentinas criou taxa temporária de até US$ 50 em voos internacionais. A Cathay Pacific informou que o preço do querosene praticamente dobrou desde o início de março. No mercado interno, passagens internacionais partindo de Guarulhos já registram altas de até 29,5%.

+65%
Alta do QAV em apenas uma semana (IATA)
37 mil
Voos cancelados de/para o Oriente Médio em 10 dias
–70%
Queda no tráfego pelo Estreito de Ormuz
US$ 11bi
Custo extra estimado para as 4 maiores aéreas dos EUA
20%
Do petróleo global passa pelo Estreito de Ormuz
5–20%
Projeção de alta nas tarifas domésticas brasileiras

O impacto nas viagens a negócios

Diferente do viajante de lazer, que pode adiar ou cancelar uma viagem sem grande consequência, a empresa raramente tem essa flexibilidade. Reuniões com clientes, auditorias, eventos setoriais e visitas a parceiros são agendas que não esperam o preço do combustível recuar. A empresa absorve o custo ou reduz a frequência de viagens, com consequências reais para o negócio.

O problema vai além da passagem aérea. O combustível mais caro encarece o transfer, o frete, a logística de eventos e o aluguel de veículos. Para empresas com volume relevante de viagens, o efeito se espalha por diversas categorias de despesa, muitas vezes sem que o financeiro tenha visibilidade clara sobre o impacto real.

“

A empresa que viaja a negócio não tem a opção de simplesmente parar de viajar. O que ela pode fazer é viajar com mais inteligência. E isso começa por ter visibilidade sobre o que está gastando, políticas claras para conter excessos e ferramentas que ajudem a comparar preços antes de aprovar uma reserva. Num cenário normal isso já é importante. Num cenário de alta como o que estamos vivendo, é indispensável.

Bruno Pain, diretor de operações da VExpenses

O risco de perder o controle

Quando os preços mudam rápido, o principal risco para a empresa não é só gastar mais. É gastar mais sem visibilidade. Empresas que não têm um processo estruturado de gestão de viagens costumam descobrir o impacto real apenas no fechamento do mês, quando cada colaborador já comprou de um jeito, cada gestor já aprovou sem referência de preço e o custo acumulado já está consolidado.

O que as empresas podem fazer agora

Não há como controlar o preço do combustível ou o ritmo do conflito. O que está ao alcance da empresa é como ela gerencia as viagens dentro desse cenário. Quatro frentes fazem diferença prática:

1

Ter visibilidade real dos gastos

Saber exatamente quanto a empresa está gastando com viagens, por quem, para onde e se os valores estão dentro do que faz sentido para cada rota. Sem isso, não há como reagir a tempo.

2

Usar políticas de viagens como instrumento de gestão

Configurar alertas quando o preço de uma reserva está acima da média, exigir aprovação adicional acima de determinado valor e priorizar antecedência nas reservas.

3

Centralizar reservas e pagamentos

Quando cada colaborador compra por conta própria, a empresa perde rastreabilidade e poder de negociação. Centralizar permite comparar tarifas e manter controle.

4

Avaliar a necessidade de cada viagem com dados

Ter critério com base em dados: quanto custa cada viagem, quais rotas encareceram mais e qual o retorno esperado de cada deslocamento.

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Ninguém controla o preço do combustível. O que a empresa controla é como ela gerencia as viagens. Ter políticas claras, centralizar reservas, acompanhar os gastos em tempo real e usar referências de preço na hora de aprovar. Tudo isso não elimina o aumento, mas evita que ele vire um problema muito maior do que precisa ser.

Bruno Pain, diretor de operações da VExpenses

Como a VExpenses ajuda na prática

A VExpenses é uma plataforma integrada de gestão de despesas e viagens corporativas. No contexto de um cenário de alta de custos como o atual, ela oferece às empresas os instrumentos necessários para reagir com mais agilidade.

Políticas e fluxos de aprovação

Configuráveis para que toda reserva passe por critérios definidos pela empresa antes de ser aprovada.

Tarifas sem taxa de emissão

Acesso a tarifas competitivas diretamente pela plataforma, sem custos adicionais de emissão.

Termômetro de preços

Indica ao aprovador se o valor de uma reserva está compatível com o mercado no momento da aprovação.

Gestão centralizada

Viagem, cartão e despesas em uma única plataforma, com conciliação automática e visibilidade em tempo real.

Empresas que já operam com esse nível de estrutura estão em posição melhor para absorver choques externos. O cenário atual deixa evidente a diferença entre quem tem processo e quem descobre o problema no fechamento do mês.

Perspectiva para os próximos meses

A duração e a intensidade do impacto dependem de quanto tempo o conflito persiste e de como o fluxo pelo Estreito de Ormuz evolui. Enquanto houver restrição no tráfego de petróleo, a pressão sobre o QAV deve continuar. Analistas do Deutsche Bank já alertaram que, se os preços se mantiverem nesse patamar, os lucros previstos para o setor aéreo em 2026 podem ser eliminados.

Já analistas do Macquarie Group estimam que, se o conflito persistir até o final de junho, o Brent pode chegar a US$ 200 por barril.

Para as empresas brasileiras, a combinação de combustível caro e dólar alto representa uma pressão dupla. A projeção de alta nas tarifas domésticas é de 5% a 10%, podendo chegar a 20% se o conflito se prolongar. Não há como prever quando o cenário vai se estabilizar, mas é possível, e necessário, estar preparado para operar dentro dele.

Checklist para gestores de viagens corporativas

Ações práticas para reduzir exposição ao cenário atual:

Mapear o gasto atual com viagens por categoria (aéreo, hospedagem, transfer, aluguel de veículos)
Revisar ou criar política de viagens com limites por rota e cargo
Configurar alertas de preço acima da média de mercado nos fluxos de aprovação
Centralizar todas as reservas em uma única plataforma com rastreabilidade
Estabelecer critério de antecedência mínima para reservas
Avaliar quais viagens recorrentes podem ser substituídas por reuniões remotas
Gerar relatório mensal de custo por viagem para acompanhar evolução e desvios

Dados de referência

DadoReferência
Alta do QAV (semana de 6/mar/2026)+65% em relação ao mês anterior (IATA)
Preço do QAV antes da guerraUS$ 85–90 por barril
Preço do QAV após a guerraespecialistas preveem até US$ 200/barril
Peso do combustível nos custos das aéreas~25% dos custos operacionais
Custo extra estimado (EUA)US$ 11 bi para as 4 maiores aéreas em 2026
Voos cancelados (28/fev a 8/mar)+37.000 voos de/para o Oriente Médio
Projeção de alta nas tarifas no Brasil5% a 25% (até 30% se conflito se prolongar)
Petróleo BrentAcima de US$ 100 (chegou a subir 29% em 1 dia)
Estreito de Ormuz~20% do petróleo global; tráfego caiu 70%

Este relatório foi elaborado pela VExpenses com base em dados públicos da IATA, Deutsche Bank e declarações das companhias aéreas brasileiras. As projeções de impacto nas tarifas são estimativas de mercado e estão sujeitas a alteração conforme a evolução do conflito.