
Conflito no Oriente Médio e o impacto nas viagens corporativas
O que gestores de viagens precisam saber agora sobre a alta do combustível de aviação, o encarecimento das tarifas e como proteger o orçamento da sua empresa.
Visão geral do cenário
O conflito no Oriente Médio desencadeou uma alta expressiva no preço do querosene de aviação (QAV) em poucas semanas. Antes da guerra, o barril do combustível oscilava entre US$ 85 e US$ 90. Depois do agravamento do conflito, chegou a ultrapassar US$ 115 em várias regiões. A IATA registrou uma alta de 65% em apenas uma semana, um movimento sem precedente recente fora do contexto da pandemia.
O impacto se estende além dos voos internacionais. O Brasil, mesmo sendo exportador de petróleo bruto, depende de importação para derivados refinados como o QAV. Com o dólar em alta e o barril pressionado, o encarecimento do combustível afeta diretamente os voos domésticos. O país já opera com um dos QAVs mais caros do mundo, o que torna qualquer pressão adicional sobre o preço ainda mais sensível.
Inclusive, a Vibra Distribuidora anunciou reajuste de 54,63% no QAV a partir de 1º de abril de 2026. Projeções indicam que a Petrobras deve aplicar um novo reajuste entre 70% e 80% ainda neste mês.
Por que o Brasil sente mais
A combinação de QAV importado, câmbio pressionado e uma estrutura de custo já elevada coloca o mercado brasileiro em posição de dupla exposição: ao preço internacional do petróleo e à variação do dólar. Qualquer repasse das aéreas chega aqui amplificado.
Números que dimensionam o problema
As quatro maiores companhias aéreas americanas estimam um custo extra combinado de US$ 11 bilhões em 2026 apenas com combustível. No Brasil, os CEOs de Azul, Gol e Latam já sinalizaram publicamente que a alta vai se refletir nas tarifas.
As companhias aéreas internacionais já estão repassando esses custos. A Air France-KLM adicionou 50 euros por voo de longa distância. A Aerolíneas Argentinas criou taxa temporária de até US$ 50 em voos internacionais. A Cathay Pacific informou que o preço do querosene praticamente dobrou desde o início de março. No mercado interno, passagens internacionais partindo de Guarulhos já registram altas de até 29,5%.
O impacto nas viagens a negócios
Diferente do viajante de lazer, que pode adiar ou cancelar uma viagem sem grande consequência, a empresa raramente tem essa flexibilidade. Reuniões com clientes, auditorias, eventos setoriais e visitas a parceiros são agendas que não esperam o preço do combustível recuar. A empresa absorve o custo ou reduz a frequência de viagens, com consequências reais para o negócio.
O problema vai além da passagem aérea. O combustível mais caro encarece o transfer, o frete, a logística de eventos e o aluguel de veículos. Para empresas com volume relevante de viagens, o efeito se espalha por diversas categorias de despesa, muitas vezes sem que o financeiro tenha visibilidade clara sobre o impacto real.
A empresa que viaja a negócio não tem a opção de simplesmente parar de viajar. O que ela pode fazer é viajar com mais inteligência. E isso começa por ter visibilidade sobre o que está gastando, políticas claras para conter excessos e ferramentas que ajudem a comparar preços antes de aprovar uma reserva. Num cenário normal isso já é importante. Num cenário de alta como o que estamos vivendo, é indispensável.
O risco de perder o controle
Quando os preços mudam rápido, o principal risco para a empresa não é só gastar mais. É gastar mais sem visibilidade. Empresas que não têm um processo estruturado de gestão de viagens costumam descobrir o impacto real apenas no fechamento do mês, quando cada colaborador já comprou de um jeito, cada gestor já aprovou sem referência de preço e o custo acumulado já está consolidado.
O que as empresas podem fazer agora
Não há como controlar o preço do combustível ou o ritmo do conflito. O que está ao alcance da empresa é como ela gerencia as viagens dentro desse cenário. Quatro frentes fazem diferença prática:
Ter visibilidade real dos gastos
Saber exatamente quanto a empresa está gastando com viagens, por quem, para onde e se os valores estão dentro do que faz sentido para cada rota. Sem isso, não há como reagir a tempo.
Usar políticas de viagens como instrumento de gestão
Configurar alertas quando o preço de uma reserva está acima da média, exigir aprovação adicional acima de determinado valor e priorizar antecedência nas reservas.
Centralizar reservas e pagamentos
Quando cada colaborador compra por conta própria, a empresa perde rastreabilidade e poder de negociação. Centralizar permite comparar tarifas e manter controle.
Avaliar a necessidade de cada viagem com dados
Ter critério com base em dados: quanto custa cada viagem, quais rotas encareceram mais e qual o retorno esperado de cada deslocamento.
Ninguém controla o preço do combustível. O que a empresa controla é como ela gerencia as viagens. Ter políticas claras, centralizar reservas, acompanhar os gastos em tempo real e usar referências de preço na hora de aprovar. Tudo isso não elimina o aumento, mas evita que ele vire um problema muito maior do que precisa ser.
Como a VExpenses ajuda na prática
A VExpenses é uma plataforma integrada de gestão de despesas e viagens corporativas. No contexto de um cenário de alta de custos como o atual, ela oferece às empresas os instrumentos necessários para reagir com mais agilidade.
Políticas e fluxos de aprovação
Configuráveis para que toda reserva passe por critérios definidos pela empresa antes de ser aprovada.
Tarifas sem taxa de emissão
Acesso a tarifas competitivas diretamente pela plataforma, sem custos adicionais de emissão.
Termômetro de preços
Indica ao aprovador se o valor de uma reserva está compatível com o mercado no momento da aprovação.
Gestão centralizada
Viagem, cartão e despesas em uma única plataforma, com conciliação automática e visibilidade em tempo real.
Empresas que já operam com esse nível de estrutura estão em posição melhor para absorver choques externos. O cenário atual deixa evidente a diferença entre quem tem processo e quem descobre o problema no fechamento do mês.
Perspectiva para os próximos meses
A duração e a intensidade do impacto dependem de quanto tempo o conflito persiste e de como o fluxo pelo Estreito de Ormuz evolui. Enquanto houver restrição no tráfego de petróleo, a pressão sobre o QAV deve continuar. Analistas do Deutsche Bank já alertaram que, se os preços se mantiverem nesse patamar, os lucros previstos para o setor aéreo em 2026 podem ser eliminados.
Já analistas do Macquarie Group estimam que, se o conflito persistir até o final de junho, o Brent pode chegar a US$ 200 por barril.
Para as empresas brasileiras, a combinação de combustível caro e dólar alto representa uma pressão dupla. A projeção de alta nas tarifas domésticas é de 5% a 10%, podendo chegar a 20% se o conflito se prolongar. Não há como prever quando o cenário vai se estabilizar, mas é possível, e necessário, estar preparado para operar dentro dele.
Checklist para gestores de viagens corporativas
Ações práticas para reduzir exposição ao cenário atual:
Dados de referência
| Dado | Referência |
|---|---|
| Alta do QAV (semana de 6/mar/2026) | +65% em relação ao mês anterior (IATA) |
| Preço do QAV antes da guerra | US$ 85–90 por barril |
| Preço do QAV após a guerra | especialistas preveem até US$ 200/barril |
| Peso do combustível nos custos das aéreas | ~25% dos custos operacionais |
| Custo extra estimado (EUA) | US$ 11 bi para as 4 maiores aéreas em 2026 |
| Voos cancelados (28/fev a 8/mar) | +37.000 voos de/para o Oriente Médio |
| Projeção de alta nas tarifas no Brasil | 5% a 25% (até 30% se conflito se prolongar) |
| Petróleo Brent | Acima de US$ 100 (chegou a subir 29% em 1 dia) |
| Estreito de Ormuz | ~20% do petróleo global; tráfego caiu 70% |
Este relatório foi elaborado pela VExpenses com base em dados públicos da IATA, Deutsche Bank e declarações das companhias aéreas brasileiras. As projeções de impacto nas tarifas são estimativas de mercado e estão sujeitas a alteração conforme a evolução do conflito.
